sábado, 3 de março de 2012

A escolha das batalhas

                           - Pinturas da Atividade com Crianças de Pouso Alto - MG

                Esta semana foi questionada a minha falta de interesse em me envolver num processo para responsabilizar o terceiro num acidente de transito. Foi uma experiência interessante. Vi pessoas utilizando mais energias para indignar - tornar indigna -  a minha atitude do que eu gastei para lidar com o problema inteiro, que no meu caso se resumiu basicamente em anotar dados e acionar a seguradora.

                Tendo em vista que moramos em um país que está no 73º lugar no quesito honestidade do estado maior, e que boa parte da humanidade vive em extrema pobreza, acho triste que pessoas gastem suas energias com intrigas que não visem o bem comum, que em menor grau seria a família, depois a comunidade, o país e o mundo.

                Desde o mês passado estou trabalhando na preparação de um encontro de jovens de 3 dias em Carmo de Minas - MG, o 17º ENCARE, cujo foco será o caráter e a cultura como elementos de transformação do ser (inscrições abertas desde o dia 29/02. sintam-se todos convidados), e, além disso, tenho que pensar numa atividade que faça a diferença junto às crianças de Pouso Alto – MG, que será aplicada já no próximo sábado dia 10/03.

                Felizmente não estou sozinho nestas “batalhas”, mas isto não significa que posso dar menor atenção às mesmas, principalmente em prol de elementos que me conduziriam para outro foco, outro estado de consciência.

                Respeito às escolhas de todos, por isto nunca paro para questionar porque não economizaram dinheiro acordando 1 dia cedo para comprarem roupas com um custo / beneficio melhor no Brás – SP. Não questiono se gostam de carros e motos que atingem 200km/h num país cuja velocidade máxima é 120km/h. Não questiono se uma irmã não fala com a outra, ou um pai não fala com o filho. Não questiono coleções de latinhas de cerveja. Quer lavar o seu carro na frente de casa, colocar um som insano e rodas esportivas? Ótimo.

                Num livro de Tomás de Kempis (1379-1471), ele menciona “Não considere ter tido progresso algum se ainda se considera melhor que alguém”. Somos pessoas diferentes, a diferença faz o mundo e cada um de nós é útil da sua maneira, nem que seja como mau exemplo!

                Mas acima de tudo, o mais importante é o respeito. Dar e merecer.

                Respeito o lobo que em sua natureza caça as ovelhas, pois faz isso com dignidade. Respeito as ovelhas que em sua natureza não lutam contra os lobos, pois assim são. Uma criança que quebra um vaso faz isso seguindo sua natureza, e será repreendida pela cultura dos responsáveis, e ambos devem evitar o exagero, a criança não irá jogar o vaso nos pais, e os pais não vou espancar a criança.

Mais importante do que a batalha que escolhemos lutar, é a forma como lidamos com ela, e o respeito que temos por aqueles que não compartilham de nossa escolha.

“Toda profissão é sacerdócio ou comércio, segundo seja exercida pelo altruísmo ou pelo egoísmo.” - Henrique José de Souza

domingo, 8 de janeiro de 2012

Slow Food e o Sincretismo Religioso



                Um efeito, talvez colateral, da calda longa é o surgimento de pessoas com elevado conhecimento de elementos diversos, porém com profundidade reduzida por ser obtido via pesquisas superficiais ou marketing digital, e que tem como ápice a subversão de doutores Philosophiæ e Honoris causa, em prol do “Google causa”, ou seja, pessoa que dedica seus “esforços” numa pesquisa na internet e apresenta em cinco minutos suas conclusões aprovando ou contestando determinada informação obtida como fruto de uma motivação surgida normalmente numa pesquisa cientifica mesa de bar ou atualização no facebook.

                Em meio a tal época, qualquer tarefa que demande tempo, dedicação e amor tornam-se hercúleas: correr, pintar, cozinhar, criar filhos, escrever, etc.. E aí surge o Slow Food.

                O Slow Food é um movimento mundial da área gastronômica que leva em si uma proposta de desaceleração e envolvimento com cada momento, assim como apregoado na filosofia Zen Budista, e que infelizmente é algo distante da realidade da maioria das pessoas, incluindo os orientais. Em sua concepção, o Slow Food defende não o prazer hedonista em cada refeição, mas sim o desfrute do momento, com o contato e respeito devido à alimentação, com moderação ao invés do exagero, configurando assim o que podemos associar ao prazer epicurista que tem como sede da ação a vontade e a razão.

            Moderação, vontade e razão.

É importante destacar que a razão grega transcende a lógica e beira beatitude (estado de bem estar) por ser um atributo da quintessência(!)  humana que é a monoda, a centelha do Logos no homem, e que cabe a cada um buscar e caberia aos que encontraram auxiliar, sendo que estes últimos seriam os chamados pontífices (construtores de pontes), barqueiros (que auxiliam na travessia), pastores ou govindas (os condutores de gado), mas como todos estes hoje se perderam em meio a aplausos e dízimos, e transformaram o meio em fim, e suas escolas em palcos, cabe a cada um de nós buscar seu modo de se desvencilhar dos grilhões de Prometeu acorrentado no Cáucaso.

É neste ponto que surge o problema.

Na arvore da vida todos galhos possuem valor, e no tronco encontramos a origem de todos os valores em forma de símbolos. Se uma ação vale mais do que mil palavras, um símbolo vale mais do que mil ações, pois ele leva em si valores que transcendem a forma. Para quem gostou nas analogias dos posts anteriores sobre música (1. ,  2.), aí vai mais uma: A ação se relaciona com o ritmo (corpo), as palavras com a melodia (alma), e os símbolos com a harmonia (espirito), e se hoje as ações tem maior valor que os símbolos é porque a interpretação dos mesmos se perderam.

E tal qual a harmonia numa sinfonia, alcançar o significado de um símbolo exige tempo, dedicação, moderação, vontade, amor e razão, e todos estes atributos devem ser obtidos com educação, prática, humildade, sem pressa e sem a necessidade de provar algo para alguém, vencer disputas retóricas ou massagear o ego.

Mas como em toda arvore, nem todos os galhos dão frutos, nem todos levam ao topo, e, absolutamente nenhum tem a visão de todos os outros, e por isso devemos ter a humildade de voltarmos para o tronco quando chegar a hora, e lá buscarmos um outro ramo que nos leve mais próximo da copa, do céu e do sol.

Antes de ser, muitos dirão que são.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Correndo por novos caminhos

Quando eu era pequena eu tinha um grande sonho: correr a São Silvestre.

Era como um ritual de Ano Novo: logo após a largada na TV a gente corria para a Brigadeiro para saudar a garra daqueles atletas de perto.

O tempo passou. Cresci, estudei, trabalhei e realizei outros sonhos.
Mas todo fim de ano eu ficava pensando se seria possível concluir os 15 km mais famosos do atletismo brasileiro um dia...
Achava que não, afinal o tempo tinha passado, eu tinha feito muita coisa na vida, mas não tinha virado atleta.

Quando nos tornamos adultos achamos que podemos programar nossa vida até o final. E talvez esse seja nosso primeiro grande erro.
Mudamos o foco da carreira, ganhamos menos ou mais dinheiro do que programamos e o grande amor da nossa vida quase nunca é o primeiro.

O segundo grande erro está em nossa resistência às mudanças.
Precisamos deixar a vida acontecer e aceitar que tudo muda, muitas vezes para melhor.

Foi assim, num desses momentos em que deixei a vida acontecer, que comecei a praticar corrida e um dia realizei meu sonho de correr a São Silvestre.
Foi tão bom, me senti tão realizada e capaz, que o sonho se tornou um novo ritual de Ano Novo. Nunca mais viajei e troquei as 7 ondinhas pelas ruas de São Paulo.

Mas... tudo na vida muda e até isso mudou.
Em 2011 fomos surpreendidos com a notícia de que o percurso da São Silvestre havia mudado.
No começo eu resisti porque não aceitei a idéia de ter essa corrida sem a tão famosa descida da Consolação, sem o Minhocão e sem a chegada na Paulista!
Não seria a mesma coisa...

Mas e ai, eu não iria correr? E meu ritual de Ano Novo? O que eu ia fazer?

Comecei a ver a coisa por outro lado e aceitar que a vida tem mudanças das quais não podemos fugir.
As 7 maravilhas do mundo já não são as mesmas, Nova York não tem mais as torres gêmeas e nem a própria São Silvestre é mais noturna.

Mas quantas mudanças no mundo, e até mesmo na minha vida, não foram para melhor?
Então eu procurei não ser resistente e resolvi experimentar essa mudança...

Choveu, choveu muito!
Como se até São Pedro estivesse triste quando escutou “We are the Champions” na largada ao invés de “Chariots of Fire”.
Apesar da vontade que deu de virar à direita na Rua da Consolação foi um consolo passar pelo Estádio do Pacaembu.
E sempre cabe mais um em nossos corações, mas não precisava aumentar o número de participantes de 15mil para 25mil.. 10 mil é muita gente até para um coração Paulistano.
O corpo também reclamou.
A vilã da prova continua a mesma, a Brigadeiro, mas a temida subida virou mocinha e a descida fez com que nossos joelhos gritassem.
Chegada no Ibirapuera não teve graça nenhuma. Perdeu o charme e deixou a corrida com cara de tantas outras que temos durante o ano.
Nossas medalhas foram entregues num mar de lama e também não havia transporte para voltar para casa.
E choveu, choveu muito!

Valeu! O lado bom foi que me permiti conhecer os novos caminhos da São Silvestre e sobrevivi para escrever este texto.
Depois de tantos anos seguindo esse ritual agora eu me sinto livre para fazer outras escolhas em 2012.

O mundo vai mudar, as pessoas vão mudar, as coisas vão mudar... sempre! E algumas outras tantas não vão mudar, mas você vai ter mudado.
E a vida é assim, em todos os sentidos... não podemos ficar presos a velhos conceitos, rituais, trabalhos, relacionamentos... a menos que nos façam felizes, senão é sempre tempo de mudança.

E este é meu conselho para 2012:
Liberte-se!
Experimente novos caminhos e seja feliz!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Previsões para 2012





Por Paulo de Sá


Busque realmente o amor, o carinho, a amizade e a Fraternidade.

Procure aprender algo novo e expanda seus horizontes e seus campos de conhecimento.

Valorize quem te valoriza, saiba que a ajuda muitas vezes vem de quem menos esperamos e procure fazer o melhor com todos ao seu redor.

Lembre-se que o dinheiro é a consequência natural do esforço e do conhecimento combinados e de que nada cai do céu por acaso.

Saiba que nem todo mundo é perfeito e que erros são cometidos. Mas mais importante do que ficar chorando é recolher os pedaços e partir em uma nova jornada.

Tenha em mente que quando estamos acompanhados somos mais felizes do que quando estamos sozinhos.

Entenda que pontos de vista diferentes do seu são apenas pontos de vista diferentes do seu e que nada impede o diálogo e uma verdadeira amizade.

Não se esqueça de que todas as suas ações no presente são apenas passos em direção à sua realização no futuro.

Esforce-se em direção aos seus objetivos. E tenha plena certeza de que se você confiar em Deus, Ele estará sempre com você.

Garanto que, agindo desta maneira, 2012 será um dos melhores anos de sua vida. :)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O que buscar?




Vaidade das vaidades, tudo é vaidade. Ecl. 1,2


                Dentre tantos elementos que nos cercam, nada há de mais importante do que selecionar aqueles cujos valores estão relacionados com os valores que buscamos e acreditamos que nos transformará numa pessoa melhor, causando não uma “revolta” ou volta ao inicio, mas sim uma evolução, que outra coisa não é senão a elevação de um aspecto a outro patamar mais elevado.

                Mas e se sabemos escolher, mas não sabemos o que buscar? Nada mais comum e simples do que um consenso popular que diz que “devemos buscar a felicidade e fazermos o que nos deixa feliz”. Eu acho que esta simplicidade toda pode ter muitas armadilhas no caminho, pois em direção a felicidade vamos nos deparar com a alegria e a satisfação e ambos sentimentos nos distraem as vezes por muito tempo, tempo este em que ignoramos que dentro de nós existe ainda uma ansiedade que não foi suprimida apesar de todas as nossas conquistas.

                Sendo assim, vamos esclarecer.

Lembram-se que certa fez fizemos a analogia do ritmo com o corpo, melodia com a alma e da harmonia com o espirito? Pois bem, vamos evoluir nisso.

A satisfação ou contentamento está relacionada ao corpo, e é atingida quando as necessidades básicas são alcançadas, por exemplo ao saciar a fome, a sede, o cansaço. Sabe quando você tira aquele sapato apertado? Também existe quando as lacunas do nosso dia a dia são todas preenchidas, por exemplo quando somos pessoas repletas de compromissos e reconhecimento, fazendo parte de uma comunidade ou fraternidade, ou um grande e ativo circulo de amigos etc..

Alegria está relacionada à alma, a melodia, e é alcançada quando um fator externo ou mensurável nos deixa “feliz”, eufórico, por um curto período, por exemplo numa vitória, ouvindo uma  boa noticia, lendo um livro legal ou assistindo um seriado que gostamos. Sendo que para ser mantida é necessário que passemos a vida trocando de obsessões, de focos, pois com o passar do tempo os mesmos vão perdendo o efeito de nos animar (anima, alma).

E a felicidade? Esta se relaciona com os valores espirituais ou altruístas, fruto das ações realizadas não em prol do nosso mérito ou satisfação e sim em prol da evolução de outro ser ou beneficio do ambiente, com desapego dos resultados e sem interesse de reconhecimento, medalha ou premio. Não pode ser comprada, não pode ser dada, mas sim forjada com o suor (corpo) no campo de batalha (alma), e sempre envolve a morte ou abandono dos “familiares”, valores familiares que estiveram sempre conosco, que parecem inerentes a nós, inofensivos e até benéficos, mas que na verdade nos impede de partir para a verdadeira guerra.

Simples? Então beleza, bora trabalhar, é 9h da manhã de uma quinta-feira!

sábado, 15 de outubro de 2011

Além das Gentilezas

A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos. - Mahatma Gandhi

          
                Algumas vezes já repeti que é mais importante ser gentil do que estar certo, mas hoje acho que mesmo com gentilezas podemos causar desconforto a pessoas a nossa volta quando falta nelas convicção de estarem com razão. Por exemplo, se eu disser a uma pessoa que não há nada de mal em ser alcoólatra, minha gentileza não irá amenizar a realidade que ela já conhece, e neste caso meu comentário vai parecer deveras polido e politico, a menos que a pessoa me conheça e entenda que eu interpreto todos os cenários como tendo virtudes e vícios...

                Todos os heróis são conceituais, e toda realidade é relativa. Vários pesos, medidas, e inúmeros fatores que tornam inviável a certeza necessária para criticar ou desmerecer alguém que está lutando para acertar.

                Quer ser útil? Converse, dialogue, ouça, questione com a certeza interior de que não sabemos tudo, de que sempre há algo que podemos aprender com a mais simples das pessoas e sempre há algo que podemos ensinar ao mais sábio dos sábios.

                Passe mais tempo da sua vida como ouvinte, e quando houver algo que queira expressar, dê preferência as ações e não as palavras, pois se mais importante do que estar certo é ser gentil, muito mais importante do que ser gentil é ser útil e fazer a diferença na vida das pessoas de forma positiva....

terça-feira, 7 de junho de 2011

Quando aprendemos a esperar

Texto de Nádia Ilvana

Na minha adolescência o nosso hino era “não temos tempo a perder”.
Fomos criados para fazer e acontecer no mundo.

Nossos passos se tornaram cada vez mais rápidos, maiores até do que nossa capacidade de andar.

E a gente foi vivendo, caminhando, correndo... mas um dia o universo se encarrega de nos fazer parar.

Ai vem a voz da nossa vovozinha falando “toda vez que você não souber o que fazer, pare, respire fundo e ESPERE que tudo de resolve no final”. Ah, quantas vezes eu achei esse discurso ridículo e sai correndo feito louca para viver a “Vida Louca Vida”.

E ao olhar para trás podemos ver quantos erros cometemos.
Mas esse não é o problema, pois cometer erros é mais do que normal.
O problema é que cometemos exatamente os mesmos erros, justamente porque não paramos para analisar onde é que estávamos errando.

Temos tanta pressa de viver que acabamos não saindo do lugar. E de que adianta passar por cima de uma situação e não resolvê-la se lá na frente seremos parados de novo por esse mesmo problema?

Esses dias eu estava numa aula de dança e meu professor me disse que se eu não esperar e não me permitir sentir o momento eu não entro em harmonia nem com o parceiro e nem com a música, logo errarei os passos. Depois que passei a respirar e esperar as coisas começaram a fluir.

A vida é exatamente assim, não dá para sair fazendo as coisas, é preciso harmonizar.

E muitas vezes o melhor que pode nos acontecer é nada.

Quando viemos de uma seqüência de erros, sejam eles no trabalho, no amor ou em qualquer outro tipo de relação, o melhor que temos a fazer é parar tudo e dar um tempo.
Nesse tempo vamos observar, pensar e ter conversas francas.

Com essa mania de sair vivendo e acelerando, esquecemos de trocar uma idéia com a pessoa mais importante que pode existir para qualquer um de nós: a gente mesmo. E essa pausa na vida que reservamos para nos conhecer se chama Espera.

Só aprendemos a viver quando aprendemos a esperar.