domingo, 25 de abril de 2010

sábado, 17 de abril de 2010

Mais importante que estar certo



Mais importante do que estar certo é ser gentil.

A razão é sempre contextual, não há porque lutar por ela, principalmente de forma agressiva, ofensiva ou desrespeitosa.

Mais importante do que ser o melhor é ser útil.

Não importa o que você é por dentro, não importa o quão especial você é ou pensa ser, importa sim o que você faz para ser útil e proporcionar o bem estar aqueles que o rodeiam, a começar pelos familiares, amigos e, em maior grau, a sociedade e ao país.

Ironia e sarcasmo são excelentes recursos dos perspicazes, ótimos em geral, mas insignificantes perante ações realmente úteis postas em prática por aqueles que não se incomodam tanto com a razão, e não consideram as limitações do próximo algo digno de humilhação.

Sócrates reconheceu e foi reconhecido (posteriormente, é fato) como o mais sábio ateniense de sua época por ter ciência da própria ignorância. Ironia é termos em nossos dias tantos "sábios" de poucas décadas de vida, com um mundo desmoronando em torno de seus egos.

Auto-afirmação é dúvida.

A vida não é feita de fotos, contatos e estórias. É feita sim de momentos, cumplicidade, copos e mesas, atenção e respeito.

"Não considere ter feito progresso algum se ainda se acha melhor do que alguém"
                                                    -Tomas de Kempis


"Nada mais cabe num copo já cheio..."
                                            - Aforismo Chinês

domingo, 4 de abril de 2010

O Tempo no País das Maravilhas


“- Pois bem, mal eu tinha terminado os primeiros versos – retomou o chapeleiro – quando a Rainha se pôs a berrar:
- Ele está matando o Tempo! Cortem a cabeça dele! (...)
- E desde então – concluiu o Chapeleiro num tom de profunda tristeza - o Tempo não faz mais nada do que eu lhe peço!”

Lewis Carroll em Alice no País das Maravilhas




O Chapeleiro do País das Maravilhas não teve sua cabeça cortada pela Rainha, mas recebeu uma punição muito maior do próprio Tempo. Ele ficou preso para sempre nas 6 horas da Tarde e não poderia fazer mais nada que não fosse pertinente ao horário, ou seja, sempre era hora do chá e sua vida se resumiu a isso.

Olhe para trás: você está aonde queria estar?

Quando percebemos que estávamos crescendo e que um dia iríamos virar adultos, começamos a projetar nosso futuro. Escolhíamos a nossa profissão, definíamos a quantidade de filhos que teríamos, o quanto ganharíamos e visualizávamos a nossa felicidade.

Mas durante o percurso percebemos que há algo que a gente desconhece mais que o Futuro: o Tempo.

Quem faz amizades com esse Mano Velho tem muito mais chances de se dar bem consigo mesmo. Mas como conhecer o senhor Tempo se tudo o que ele mostra parece ser contrário ao que sentimos?

É hora de estudar quando queremos brincar, é hora de trabalhar quando queremos sair com os amigos, é hora de ter filhos quando queremos viajar, é hora de se aposentar quando queremos trabalhar, é hora de acordar quando queremos descansar e é hora de dormir quando queremos viver.

Ao olhar para trás é bem provável que você não tenha feito tudo o que queria. Mas isso não deve importar mais. O que está feito está feito. E na maioria das vezes nossos desejos são muito maiores do que nossa capacidade de abraçá-los, então, se analisarmos bem, nós temos exatamente aquilo que podemos ter.

Porém, o Tempo ficará muito feliz se você for atrás dos dias perdidos. Ainda dá para fazer aquelas coisas que você ainda não fez, mas que ainda deseja. Quando fazemos uma retrospectiva do passado, muita coisa que desejávamos antes, hoje, já não faz mais sentido algum. Outras coisas ainda são frustrações dentro da gente e essas nós temos que atacar.

Estou com 33 anos, a mesma idade que Cristo tinha quando foi crucificado. Aproveitei o feriado da Páscoa para reler Alice no País das Maravilhas e fazer uma “ressurreição” dentro de mim. Analisei tudo o que já conquistei e cheguei à conclusão de que estou muito feliz comigo. Mas anotei no meu caderninho tudo aquilo que ainda quero realizar e tracei planos para isso. Contarei com o Tempo, mas hoje eu já o conheço melhor.

"- Você poderia me dizer, por gentileza, como é que eu faço para sair daqui? - perguntou Alice.
- Isso depende muito de para onde você quer ir - disse o Gato.
- Para mim tanto faz para onde quer que seja... - respondeu Alice.
- Então, pouco importa o caminho que você tome - disse o Gato."

quarta-feira, 17 de março de 2010

Medo de Amar, por Marina Gold

Texto de Marina Gold, publicado no site do Terra.


O homem é um ser cauteloso cujo grande traço característico é o medo de sofrer. Seja na dimensão física, quando tenta se cercar de todas as defesas possíveis, muitas vezes lutando bravamente para pagar um Plano de Saúde particular, tentando não fumar, não engordar, não beber álcool, e todas essas tarefas tão difíceis de se realizar vida afora, mas totalmente indispensáveis, para aqueles que cuidam com atenção da própria saúde, evitando grandes dores.
No território afetivo, na questão do amor, por sua vez, uma pessoa acaba por conseguir proteger a si mesma quando se defende de amar, de se entregar aos sentimentos e muitas vezes sem outra razão além da sua própria insegurança, da falta de confiança em suas possibilidades pessoais e, principalmente, da dificuldade que tem para lidar com as perdas. Nessa condição, as pessoas são tão desconfiadas que não se entregam de jeito nenhum aos próprios sentimentos, se colocando à margem da relação, sem se permitir mergulhar nela de verdade.
Esse comportamento de "defesa ante ao amor" pode ocorrer também por outro motivo: pode significar falta de humildade, egoísmo, e até covardia. Muitas pessoas amam tanto a si mesmas que não sobra espaço para amar mais ninguém. Elas parecem impermeáveis ao amor, e às vezes nem só ao amor sentimental, mas acabam também estendendo sua incapacidade de envolvimento afetivo aos próprios familiares e amigos.
Na verdade, quando alguém tem medo de perder no amor, nada mais ocorre do que uma "quase intuição", pois o ser humano, sempre sabe, por um instinto natural, o que representa perigo para ele. Neste caso, ocorre a impressão de que algo pode não dar certo, um sentimento de que há, na sinfonia toda, uma nota desafinada, uma sensação de que as coisas não se encaixam adequadamente.
Qualquer uma das duas atitudes é portadora de infelicidade: não se entregar ao amor por medo é tão problemático quanto entregar os sentimentos mais puros a alguém que, por autoestima exagerada, não consegue e nem deseja retribuir esse amor. Apenas uma atitude equilibrada e atenta pode livrar alguém desses extremos que machucam e trazem infelicidade.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Tanta Estrela Por Ai



A Vida...
Ela é nossa, nos pertence, temos o controle dela nas mãos, mas não sabemos ao certo como usar. Qual botão devemos apertar para ser feliz?

Desde pequenos somos obrigados a ir para a rua em busca de uma vida melhor. Nossos pais nos passam valores e ensinam que temos que estudar e trabalhar para, quando formos adultos, termos uma Casa Feliz. Essa casa pode ser com cônjuge e filhos ou somente com discos e livros, mas um lugar que seja seu canto e que te faça feliz... do seu jeito.

A Casa é como se fosse a nossa Alma e a Rua o nosso Corpo.

Todos os caminhos que percorremos na vida são para chegar à nossa Casa Feliz. É nessa casa que mora nossa Alma Feliz. Quanto melhores para nós mesmos nós formos, mais próximos dessa conquista ficaremos.

O nosso único transporte para chegar à Casa Feliz é o corpo. Assim como as ruas o corpo tem limitações e sinalizações que indicam o certo e o errado, hormônios que desnorteiam e sentimentos que precisam ser conhecidos. E por mais que a gente estude o guia, somente saindo de casa é que vamos conhecer os caminhos.

Só que isso não tem fim. Quando saímos para a rua e voltamos com tijolos para a construção da Casa Feliz, somos levados a buscar mais e mais. A vida é cíclica, não há como ficar parado no mesmo lugar.

Vivemos numa eterna roda de mortes e renascimentos porque precisamos caminhar. Sofremos na escola para se adaptar aos colegas, professores e aprender as matérias, depois ficamos muito felizes na formatura. Mas ai começa tudo de novo na faculdade. Esse recomeço gera novo sofrimento, mas entrar numa nova roda significa evolução.

Uma das verdades sobre a vida, ensinadas por Buda, é que “o motivo do sofrimento é o desejo”. A forma de cessar o sofrimento seria não mais desejar, mas dessa forma cessaríamos também a felicidade.

Então melhor conviver com a idéia de que vamos sofrer e ser feliz muitas vezes, já que queremos mais da vida. O que precisamos descobrir é qual o nosso verdadeiro desejo. Muitas vezes sofremos e ficamos presos numa dessas rodas porque não aceitamos que um desejo não foi atendido. Temos desejos maiores e menores, você decide qual deverá ter mais importância.

Quanta gente não chora por um amor não correspondido? A escolha é de cada um. Podemos ficar presos a um desejo menor, que é ter ao nosso lado uma determinada pessoa que escolhemos e não nos escolheu, ou deixar partir e continuar valorizando um desejo maior, que é ser feliz no amor.

Isso vale para tudo. De que adianta chorar aquela promoção que não vem se você sabe que está na profissão errada? Vale se apegar ao desejo menor ou batalhar pelo maior? Escolhas...

Sigo um método de aprendizado de vida que considero muito eficiente, que é o método da observação. Observo tudo o que já deu de certo e errado, observo minhas sensações vividas no momento em que as coisas ocorreram e observo também o que acontece com as pessoas que estão próximas a mim.

A conclusão que chego é que tudo o que a gente deseja se realiza, mas às vezes as coisas ficam travadas porque a gente tem medo de batalhar pelos desejos maiores e se apega aos desejos menores, por puro medo de ficar sem nada. Mas a gente não se satisfaz com esses desejos menores.

Essa interferência entre os desejos faz com que as coisas em nossa vida dêem errado. Quando a gente se decide e foca em um dos desejos, os caminhos se abrem. E quanto mais claros forem os caminhos dos desejos, mais rápido eles se realizam.

Todas as estrelas são lindas, a melhor de todas é a que consegue iluminar sua Casa e torná-la Feliz. Saia para a rua, entre no seu disco voador e guie para o seu coração.

Não tenha medo de desejar as estrelas e saiba que elas são infinitas no céu.

“Oh! Oh! Oh! Seu Moço!
Do Disco Voador
Me leve com você
Prá onde você for

Oh! Oh! Oh! Seu Moço!
Mas não me deixe aqui
Enquanto eu sei que tem
Tanta estrela por aí...”

quinta-feira, 4 de março de 2010

O Homem e a Mulher



De Victor Hugo

O homem é a mais elevada das criaturas.
A mulher é o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono;
Para a mulher um altar.
O trono exalta; o altar santifica.
O homem é o cérebro e a luz; a mulher o coração e o amor.

A luz fecunda; o amor ressuscita.
O homem é o gênio; a mulher o anjo.
O gênio é imensurável; o anjo indefinível.
A aspiração do homem é a suprema glória;
A aspiração da mulher, a virtude extrema.
A glória traduz grandeza; a virtude traduz divindade
.

O homem tem a supremacia; a mulher a preferência.
A supremacia representa força.
A preferência representa o direito.
O homem é forte pela razão; a mulher invencível pelas lágrimas.
A razão convence; a lágrima comove.
O homem é capaz de todos os heroísmos;
A mulher de todos os martírios.
O heroísmo enobrece; os martírios sublima.


O homem é o código; a mulher o evangelho.
O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.
O homem é o templo; a mulher, um sacrário.
Ante o templo, nos descobrimos;
Ante o sacrário ajoelhamo-nos.

O homem pensa; a mulher sonha.
Pensar é ter cérebro;
Sonhar é ter na fronte uma auréola.

O homem é um oceano; a mulher um lago.
O oceano tem a pérola que embeleza;
O lago tem a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa; a mulher o rouxinol que canta.
Voar é dominar o espaço; cantar é conquistar a alma.
O homem tem um fanal; a consciência;
A mulher tem uma estrela: a esperança.
O fanal guia, a esperança salva.


Enfim...
O homem está colocado onde termina a terra;
A mulher onde começa o céu...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Faça do Seu Jeito

"Ajudei-o a encontrar suas palavras começando com algumas das minhas..."
- "Encontrando Forrester"


                É engraçado como buscamos nossa identidade. Querendo ser únicos, começamos nosso trajeto nos unindo a semelhantes ou, às vezes, nos fazemos semelhantes daqueles que temos ou queremos proximidade. Um exemplo atual deste comportamento é a geração emocore que se diferem dos pais mas muito se assemelham uns aos outros.

                Este comportamento é natural, e não deve ou precisa ser criticado. Aconteceu (acontece?) conosco, com nossos antepassados, e acontecerá com nossos descendentes. Está relacionado a um meio termo entre dois mundos, sendo o primeiro aquele em que somos estabelecidos na cultura vigente, claramente visível durante a primeira infância nas escolas infantis, onde crianças são colocadas para dançar carnaval, quadrilha, entre outros, sem ter a menor idéia das razões que isto acontece, inclusive algumas criticas surgem a respeito desta tratativa. Mas o fato é que quando os adultos deixam de impor, ou quando os jovens alcançam o mínimo de liberdade necessária, o primeiro passo é buscar um padrão para se identificar, o que não deixa de ser irônico, pois o jovem sai da tutela dos adultos e passa para a “tutela” do padrão jovem estabelecido.

                O mundo que contrapõe a infância é justamente a fase adulta, e talvez não seja apenas uma questão cronológica o fato de não existir, ou ao menos não ser visível, emocore´s adultos.

                O adulto costuma se associar a massa produtora da sociedade, e aquela atenção dedicada a si mesmo na adolescência passa a ser voltada ao mundo exterior, para que a sociedade funcione, e isto naturalmente afasta a pessoa de alguns valores que então passam a ter menos sentido.

                O importante nisso tudo é que você faça do seu jeito, e que entenda que isto não quer dizer "livre arbítrio", porque este é meramente conceitual dentro de uma realidade existente. Você não pode voar. Você não pode escolher nascer em berço de ouro. Não pode voltar atrás.

A liberdade que você possui não é ditar como o mundo deve ser, mas é responder ao mundo do seu jeito.
– Danilo Régis
(gostei da frase, vou assiná-la, dizem que na internet nada some... quem sabe meus netos vão encontrá-la um dia...)

                E com ciência das suas escolhas, poderão cantar aos quatro cantos:

"I've loved, I've laughed and cried
I've had my fails, my share of losing
And now as tears subside         
 I find it all so amusing  
 To think I did all that    
 And may I say, not in a shy way              
 Oh, no, no not me        
 I did it my way"              

"Eu amei, eu ri e chorei
 Tive minhas falhas, minha parte perdida
 E agora as lágrimas cessaram
 E acho tudo tão incrível
 Pensar que fiz tudo isso
 E posso dizer sem me acanhar
 Eu fiz do meu jeito."
                                                                                                          -  My Way, Evis Presley