sábado, 15 de outubro de 2011

Além das Gentilezas

A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos. - Mahatma Gandhi

          
                Algumas vezes já repeti que é mais importante ser gentil do que estar certo, mas hoje acho que mesmo com gentilezas podemos causar desconforto a pessoas a nossa volta quando falta nelas convicção de estarem com razão. Por exemplo, se eu disser a uma pessoa que não há nada de mal em ser alcoólatra, minha gentileza não irá amenizar a realidade que ela já conhece, e neste caso meu comentário vai parecer deveras polido e politico, a menos que a pessoa me conheça e entenda que eu interpreto todos os cenários como tendo virtudes e vícios...

                Todos os heróis são conceituais, e toda realidade é relativa. Vários pesos, medidas, e inúmeros fatores que tornam inviável a certeza necessária para criticar ou desmerecer alguém que está lutando para acertar.

                Quer ser útil? Converse, dialogue, ouça, questione com a certeza interior de que não sabemos tudo, de que sempre há algo que podemos aprender com a mais simples das pessoas e sempre há algo que podemos ensinar ao mais sábio dos sábios.

                Passe mais tempo da sua vida como ouvinte, e quando houver algo que queira expressar, dê preferência as ações e não as palavras, pois se mais importante do que estar certo é ser gentil, muito mais importante do que ser gentil é ser útil e fazer a diferença na vida das pessoas de forma positiva....

terça-feira, 7 de junho de 2011

Quando aprendemos a esperar

Texto de Nádia Ilvana

Na minha adolescência o nosso hino era “não temos tempo a perder”.
Fomos criados para fazer e acontecer no mundo.

Nossos passos se tornaram cada vez mais rápidos, maiores até do que nossa capacidade de andar.

E a gente foi vivendo, caminhando, correndo... mas um dia o universo se encarrega de nos fazer parar.

Ai vem a voz da nossa vovozinha falando “toda vez que você não souber o que fazer, pare, respire fundo e ESPERE que tudo de resolve no final”. Ah, quantas vezes eu achei esse discurso ridículo e sai correndo feito louca para viver a “Vida Louca Vida”.

E ao olhar para trás podemos ver quantos erros cometemos.
Mas esse não é o problema, pois cometer erros é mais do que normal.
O problema é que cometemos exatamente os mesmos erros, justamente porque não paramos para analisar onde é que estávamos errando.

Temos tanta pressa de viver que acabamos não saindo do lugar. E de que adianta passar por cima de uma situação e não resolvê-la se lá na frente seremos parados de novo por esse mesmo problema?

Esses dias eu estava numa aula de dança e meu professor me disse que se eu não esperar e não me permitir sentir o momento eu não entro em harmonia nem com o parceiro e nem com a música, logo errarei os passos. Depois que passei a respirar e esperar as coisas começaram a fluir.

A vida é exatamente assim, não dá para sair fazendo as coisas, é preciso harmonizar.

E muitas vezes o melhor que pode nos acontecer é nada.

Quando viemos de uma seqüência de erros, sejam eles no trabalho, no amor ou em qualquer outro tipo de relação, o melhor que temos a fazer é parar tudo e dar um tempo.
Nesse tempo vamos observar, pensar e ter conversas francas.

Com essa mania de sair vivendo e acelerando, esquecemos de trocar uma idéia com a pessoa mais importante que pode existir para qualquer um de nós: a gente mesmo. E essa pausa na vida que reservamos para nos conhecer se chama Espera.

Só aprendemos a viver quando aprendemos a esperar.

sábado, 7 de maio de 2011

Dharma


Quem conhece os outros é inteligente,
Quem conhece a si mesmo é sábio.
                                               - Tao The King
               
               
                De onde eu venho não acreditamos em destino, mas sim em Dharma (hindu) que é semelhante ao Tao Chinês e ao Dô japonês.

                O destino para os ocidentais é aquele ponto no futuro em que a pessoa chegará de uma forma ou de outra... mas numa época como a nossa dificilmente acreditaremos em algo deste tipo, uma vez que sabemos que toda ação tem sua reação, e que sem os passos certos em direção ao nosso objetivo jamais o alcançaremos, uma vez que cada decisão nos conduz para um caminho diferente.

                Já o Dharma não possui esta conotação de pautar nosso futuro, mas sim o de determinar nossa função no mundo, na sociedade, com base nas nossas Skandas ou Virtudes, sendo que esta era a ideia original das castas hindus que com o passar dos anos foi terrivelmente deturpada.

                Bem aventurados são aqueles que conhecem o seu Dharma, pois encontrarão a felicidade na vida. Já os que ignoram vivem com amargor e sem animo, sempre buscando motivos para não desistir, e sempre buscando distrações para preencher o vazio que habita no coração e na mente, gerando desta forma o Karma que outra coisa não é senão a força que nos puxa para o caminho do meio, o caminho do Dharma, e que os ignorantes erroneamente tomam como “castigo”.

                Entender o Karma é fundamental para os que buscam o equilíbrio. A natureza não faz distinção de bem ou mal, “para ela os homens são como cães de palha destinados ao sacrifício”  (Tao The King). A natureza apenas busca equilibrar o que não está em desequilíbrio, não importa para qual lado está o maior peso. Ou seja, isto é importante, não importa se você leva uma vida de bondades, sempre levando o bem a todos, isto não significa que você esteja cumprindo o seu Dharma!

                A natureza do bem e do mal não é dada ao homem conhecer, devemos sim busca-la, mas nunca nos esquecendo de “que ninguém é bom” (Marcos 10:18). O ideal é que evitemos todos os excessos, inclusive o das virtudes (Horizonte Perdido), “não sendo demasiadamente justo ou sábio, correndo o risco destruir a si mesmo”  e principalmente “não sendo sábio aos próprios olhos...” (Salomão) para que desta maneira, sem as distrações e vaidades, o Dharma, seja claro para nós e assim possamos trabalhar para melhor expressá-lo, colaborando não só conosco, mas com todos os que nos cercam e consequentemente o mundo, na mais pura expressão do “pensar globalmente e agir localmente” de maneira holistica, completa e verdadeira.
                
                OM MANI PADME HUM   

domingo, 24 de abril de 2011

Para amar uma mulher

Texto de Daniela Miranda

Estava eu em mais um papo de boteco e o assunto novamente girou em torno do “AMOR”.

Um amigo comentou que é muito difícil entender as mulheres e que amar é complicado demais. Eu discordei porque sempre acredito que amar vale à pena.

E sugeri que ele fizesse um exercício de pensar como nós, mulheres, gostaríamos que eles, homens, interpretassem algumas entrelinhas. Nem sempre um “não” é realmente um “não” e que é preciso saber escutar cada sorriso para poder amar uma mulher.

Para amar uma mulher é assim: tente enxergar a aspereza das dores que ela guarda dentro do peito e esteja disposto a ajudá-la de qualquer modo, custe o que custar, de qualquer jeito.

Para amar uma mulher faça dela o primeiro plano, entre o universo de amigos, daquele futebol domingueiro, escolha ficar com ela, surpreenda.
Até assumir um estilo romântico e Shakesperiano está valendo.

Sussurrar que a amará por duzentos anos, a toda hora, a vida inteira... porque as mulheres sabem o poder das palavras.

Para amar uma mulher, ainda que não a entenda, aceita-a!

Elogie aquele batom que te convida.
Perdoa suas fraquezas, seu lado enciumado.
Compreenda que neste campo minado, se a pisares, ela explodirá.

Para amar uma mulher, não é preciso esperar… Ela já te espera.

domingo, 6 de março de 2011

Sinais - Parte 2 - Respeito


           "Aprendemos a voar como os pássaros, aprendemos a nadar como os peixes, mas ainda não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos"
                                                                                      M.Luther King

                “A espada é a alma do samurai”, disse Tokugawa Ieyasu num período que marcou o fim do Período Muromachi, numa época em que armas de fogo começavam a chegar ao Japão Medieval, no século XVI. Época esta marcada pelo surgimento de um novo significado para a vida.

                “Deus fez os homens diferentes, uns fortes e outros fracos. Samuel Colt os igualou...”

            Com uma espada nas mãos o samurai era capaz de sentir o peso de cada vida que tirava, mas com uma arma de fogo isto não existia. Passou a ser tão simples tirar uma vida, e isto não podia estar certo. E uma reflexão surgiu, uma ideia de que o valor do samurai não era a habilidade de tirar vidas, e sim a de respeitá-la e valorizá-la com atitudes que possuíssem em si um significado nobre, dando origem ao verdadeiro Bushidô. E através do Bushidô que surge o verdadeiro espirito da espada japonesa na lâmina do Tsurugui, com seu duplo corte capaz de derrotar a falsidade e lutar pela verdade.

            O respeito é inerente à verdade. Sem a verdade a falsidade prepondera e viveremos tendo pessoas que nos elogiam em nossa frente e nos criticam pelas costas. Porque existem jardineiros respeitados e empresários que desdenhamos? Porque o respeito não é inerente a função, não é inerente a raça, religião ou classe social. É sim inerente ao caráter, a verdade, ao verdadeiro valor da alma.

           " Conheceremos a árvore pelos seus frutos.-  S. Mateus"

            Evite conclusões precipitadas. Só respeitamos o que conhecemos, e não se pode julgar um livro pela capa.

            E naturalmente, o que até não precisaria ser citado, quer respeito? Faça por merecer!

            Quem convive comigo pode estar cansado de ouvir minhas conversas sobre julgamento de valor, mas vai aí mais uma boa citação a este respeito:


            As pessoas crescidas adoram os números. Quando você lhes fala de um novo amigo, elas nunca perguntam o essencial: “Qual o som de sua voz? Quais são os seus brinquedos preferidos? Ele coleciona borboletas?” Elas sempre perguntam: “Qual é a sua idade? Quantos irmãos ele têm? Quanto ele pesa? Quanto ganha seu pai?” Somente então eles acreditam tê-lo conhecido. 
            Se você diz às pessoas crescidas: “Eu vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, com gerânios nas janelas e pombos nos telhados...”, elas não conseguem nem imaginar essa casa. É necessário dizer-lhes: — “Eu vi uma casa de cem mil francos”. Então elas exclamam — “Como é bonita!”

          Antoine de SAINT-EXUPÉRY (O Pequeno Príncipe)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Homens de 20

Texto de Daniela Miranda

Parece ironia do destino, mas o aquecimento global está provocando mudanças não apenas na natureza, mas também no asfalto e na vida social do homem. As mudanças climáticas fazem nossos hormônios se aquecerem e estamos sofrendo transformações.

Outro dia eu estava em um “Papo de Boteco” e comecei a analisar como as nossas escolhas individuais acabam afetando diretamente ou indiretamente todos os nossos stakeholders, até mesmo na vida afetiva. Pesquisas apontam que existem 07 mulheres para cada homem, loucura. E, acreditem é verdade.

Está tudo fora da ordem. Está tudo em uma nova ordem.

Homens na casa dos 30 anos querem as mocinhas mais jovens. Elas possuem uma jovialidade que os agrada não só pela questão estética, mas também pela questão social. Estar ao lado de uma jovem é como retardar o seu próprio envelhecimento. E elas também são mais fáceis de impressionar. Em contrapartida elas também querem os mocinhos de 30, pois são mais maduros, e muitas vezes já estão financeiramente estabilizados, possuem carro, as buscam na faculdade e proporcionam finais de semana na praia. Elas já não se encantam com os mocinhos de 20, que estão na mesma situação que a delas.

Já as mulheres de 30 não se impressionam com tanta facilidade com os mocinhos de 30. Na maioria das vezes essas mulheres já são financeiramente e emocionalmente mais independentes e querem mais do que a maioria dos mocinhos de 30 estão dispostos a oferecer. Querem estabilidade emocional e, como não encontram, acabam se divertindo com os mocinhos de 20. E o pior é que acabam gostando. Os mocinhos de 20 são mais descontraídos, mais carinhosos e muito mais dispostos, talvez inconscientemente as façam felizes.

Essa disposição é uma das vantagens de dividir o cotidiano com homens mais novos. Com fôlego de sobra, eles topam qualquer parada. Quantas vezes você já quis ser amada em lugares inesperados... E quantas vezes ficaram só na vontade? Eles curtem a “paradinha” no carro, na cozinha, no elevador... sempre estão prontos e querem sempre aprender com as nossas experiências. E isto nos motiva.

Aos 30 anos a mulher alcança sua plenitude sexual, justamente quando o homem começa a inverter a sua linha. Relacionando-se com alguém mais jovem, podemos combinar a experiência e conhecimento que temos do nosso corpo com a energia dele. Enfim, um coquetel explosivo!!!

Pode parecer loucura, luxuria, mas realmente é uma quebra de paradigma que precisamos superar.
É verdade! Normalmente, somos nós quem nos preocupamos com esse aspecto. Eles têm muito menos complexos em relação a isso. Nós, mulheres, é que encaramos de forma negativa o passar dos anos. Bobagem! Pensando que uma das razões óbvias pela qual os homens mais novos ficam com as mulheres mais “experientes” é porque eles possuem admiração por elas. Sabem que poderão aprender muitas coisas sobre a vida e as relações e sem tantas cobranças.

A relação para eles torna-se mais prazerosa porque você é independente financeiramente e emocionalmente. Tem seu trabalho, casa, amizades e a vida feita ... e poderá dar-lhe a liberdade e a independência que alguém mais jovem precisa. Com você a relação será mais tranqüila ... e isso o deixará louco! A maioria dos homens mais novos tem fetiche por mulheres mais experientes. E claro, nem tudo são flores. Alguns aspectos da personalidade dele poderão soar infantis para você. Paciência, ao seu lado ele amadurecerá antes, e melhor, terá sido orientado por você.

Podemos dizer que os homens mais novos são as “drogas” necessárias para as mulheres de 30.

Lembrando que aos 20 você era escolhida e agora aos 30 quem escolhe é você. E ele se sentirá orgulhoso que tenha sido "o escolhido".

Cada faixa etária tem as suas vantagens e os seus prazeres. Mas, independentemente da idade, o que importa mesmo é estar feliz.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A Arte da Vida



                Quatro são os pilares que sustentam a humanidade: ciência, religião, filosofia e arte. Destes quatro, apenas uma não tem compromisso com a verdade. Fácil? Sabe qual? Vejamos.


                Na ciência, uma nova teoria se sobrepõe à sua equivalente anterior. Não podem conviver juntas em harmonia, pois sempre uma buscará para a si a razão em detrimento da outra. Por exemplo, não é permitido de forma alguma conciliar no meio acadêmico o criacionismo com a teoria da evolução, ou o “descobrimento” do Brasil com a “pré-existência“ do mesmo entre fenícios e outros povos.


                Se tratando de religião, é de conhecimento público a busca pela verdade, sendo que quaisquer elementos conflitantes são naturalmente marginalizados.


                Na filosofia também existe o compromisso com a verdade, porém difere da ciência e religião pela capacidade de manter linhas diversas de pensamento lado a lado sem detrimentos entre si, sendo este um dos pontos mais destacados por respeitados filósofos como Kant e Descartes, os quais acreditavam que as conclusões divergiam devido as diferentes óticas utilizadas para analise.


                E a arte?


                A arte não possui compromisso com a verdade. Sim, é sério, não tem mesmo. Logo, pense nas consequências disto... Não tem porque criticarmos aquele filme que “exagera” ou “distorce” a realidade. Da mesma forma que não há razão para criticarmos a literatura, fotografia, jogos, danças ou qualquer outra arte do manifesto...

            Mas e a vida? É a Arte ou Ciência? 

            Muitas são as menções na literatura a respeito da “Ciência da Vida”. O próprio termo “consciente” deriva disto. Viver “consciente” é viver “com ciência”.

            Não resta dúvida que a Arte provém da vida, mas isto faz da vida uma arte? Seriam ciência e arte os dois pratos da balança que devem permanecer em equilibrio?

            Viver a vida como arte faz muito sentido, faz tudo ser um improviso, desde um romance até o malabarismo das contas no fim do mês. A arte de se preparar um jantar e escolher uma roupa, se identificar com uma música, um filme.

            E viver consciente? Tem menos charme? Entender as ações e reações. Saber o valor real de cada elemento. Valorizar mais o que precisa do que o que gostaria de ter. Planejar-se. Vivenciar riscos previamente dimensionados.

            Seria a arte colorida e a ciência em preto e branco?